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riscos_e_rabiscos

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Ninguém me Compreende

 

Acabei de discutir com a minha mãe. Motivo: vinda do meu irmão para a Internet. Mais uma vez.

 

O menino hoje acordou todo chateado comigo e nem me falava. Simplesmente porque ontem não veio falar com os seus amigos no computador. Ontem fiquei cá eu a falar com as minhas amigas, uma vez que raramente consigo falar com elas. Quando eu saio, elas entram. Raramente nos cruzamos.

 

Levei o dia inteiro a ouvir “vê lá se o deixas ir ao computador hoje um bocadinho. Ontem não foi e ficou todo triste!". Como se só raramente viesse. Vem para aqui todos os dias. A partir das dez da noite até que lhe apeteça. Passa aqui mais tempo do que eu…

Agora explodi. E disse que também tenho direito por “um” dia a ficar a falar com as minhas amigas. Tenho, ou não? Mandaram-me logo à cara que a minha idade é diferente da dele e que se não falo com as minhas amigas é porque não quero.

 

Expliquei que todos os dias, cronometradamente, às 10 horas saio daqui. Para o meu irmão vir para aqui. Disse ainda que nunca falo com ninguém – a não ser com o N. – porque as pessoas têm vidas diferentes das minhas e só aqui vêm mais tarde.

 

É impressionante como ninguém nunca compreende a minha parte. Mas já estou habituada. Tem sido sempre assim. Estou de rastos.

 

Amor Virtual

Quem é que não tem uma boa história de amor pela Internet para contar?

Serão poucos os que assumem terem vivido um amor virtual mas eu acredito que estes casos de amor irão ser cada vez mais devido à nossa vida super ocupada.

 

Tudo começa com um computador ligado à Internet e uma tentação irresistível de ver como é. Tudo pode começar num chat, numa sala de encontros, no IRC… enfim, há um rol enorme de possibilidades.

Já sabemos que os nomes verdadeiros nunca são revelados e passamos a ser conhecidos através de nicks (pseudónimos).

Estes nicks, para além de protegerem a nossa verdadeira identidade, também podem dar azo a que alguns criem uma “nova identidade”.

 

Mas afinal o que procuramos neste amor via Internet? O mesmo que num amor da vida real. O objectivo é encontrar alguém, que goste de nós, nos compreenda e seja companheiro.

Após algum tempo de contacto assíduo com alguém, surgem as trocas de números de telefone e a consequente (e muitas vezes ansiada) oportunidade do encontro. É aqui que vamos ver como as coisas realmente são.

 

Marca-se o encontro, aperaltamo-nos todos e fazemos figas para agradar ao outro. É que falar ao telefone e trocar sms e mails é uma coisa e o confronto com a vida real é outra.

Uma voz que nos soa espectacular ao telefone, que desejamos ansiosamente ouvir e que nos proporciona conforto, na maior parte das vezes, não corresponde ao que depois vamos encontrar.

Todos nós temos os nossos padrões de beleza e estamos expectantes para que o outro lhe corresponda na íntegra.

 

Chegou o dia do nosso blindate e podem acontecer situações como estas:

 

- Socorro! O outro não era nada do que nós sonhámos. O coração cai-nos aos pés, as expectativas de um relacionamento real desaparecem e até a conversa, que antes fluía agradavelmente, passa a ser um diálogo de frases clichés e de um silêncio embaraçante. Queremos sair dali o mais rápido possível!

 

- O outro é tudo aquilo que nós esperávamos. A paixão verdadeira surge naquele exacto momento, não queremos nunca mais separarmo-nos dele. Partimos para uma relação verdadeira. Entramos na fase do romance cor de rosa.

 

- Percebemos imediatamente que fomos uns tansos. Pois o outro não é nada do que parecia ser. Sentimo-nos um peixe que mordeu um isco. Afinal era tudo um engodo para nos levar para a cama. Aqui só há duas soluções: ou alinhamos ou saltamos fora.

 

Creio que se fizermos uma análise entre o sucesso dos blindates e as nossas expectativas, o balanço é negativo.

No entanto, continuamos sempre a tentar mesmo que erremos novamente e que nos arrependamos. É a atracção do desconhecido a exercer a sua influência.

O único risco que corremos é de nos decepcionarmos de novo. Mas porque não arriscar de novo? “Quem não arrisca, não petisca”…